{"id":5021,"date":"2018-01-15T18:24:47","date_gmt":"2018-01-15T21:24:47","guid":{"rendered":"http:\/\/sinpro-al.com.br\/v2\/?p=5021"},"modified":"2018-01-15T18:24:47","modified_gmt":"2018-01-15T21:24:47","slug":"mestres-sob-pressao-quando-o-sonho-de-lecionar-vira-um-pesadelo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sinpro-al.com.br\/v2\/?p=5021","title":{"rendered":"Mestres sob press\u00e3o: quando o sonho de lecionar vira um pesadelo"},"content":{"rendered":"<div id=\"conteudo-leitura\">\n<div id=\"attachment_5022\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/sinpro-al.com.br\/v2\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/paginas-13-14-e-15.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5022\" class=\"wp-image-5022 size-medium\" src=\"http:\/\/sinpro-al.com.br\/v2\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/paginas-13-14-e-15-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"http:\/\/sinpro-al.com.br\/v2\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/paginas-13-14-e-15-300x200.jpg 300w, http:\/\/sinpro-al.com.br\/v2\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/paginas-13-14-e-15-768x512.jpg 768w, http:\/\/sinpro-al.com.br\/v2\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/paginas-13-14-e-15.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5022\" class=\"wp-caption-text\">Professora Fl\u00e1via Farias: prazer de ensinar virou drama, ass\u00e9dio sexual e moral<\/p><\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/sinpro-al.com.br\/v2\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/paginas-13-14-e-15.jpg\"><\/a>A professora Fl\u00e1via Farias, de 45 anos, realizou seu sonho de lecionar h\u00e1 25. Dedicou a maior parte dos seus dias a dar aulas de todas as Ci\u00eancias Humanas: Geografia, Hist\u00f3ria, Filosofia e Sociologia. Com a rotina exaustiva, dia ap\u00f3s dia, a professora foi se sentindo infeliz pelas cobran\u00e7as, pela falta de respeito de alguns alunos e pelo sal\u00e1rio injusto, at\u00e9 n\u00e3o conseguir mais voltar para a sala de aula.<\/p>\n<p>\u201cSempre dei aula em escola p\u00fablica e particular. Na p\u00fablica os alunos da tarde s\u00e3o mais problem\u00e1ticos do que os da noite, que j\u00e1 s\u00e3o adultos. Voc\u00ea percebe que o objetivo mais importante dos menores \u00e9 manter os programas sociais da fam\u00edlia. Eles n\u00e3o entram no hor\u00e1rio da sala de aula e saem quando querem. As gest\u00f5es das institui\u00e7\u00f5es, diretores, coordenadores, muitas vezes, s\u00e3o coniventes com esse comportamento, deixando a responsabilidade para n\u00f3s, professores. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o muito desigual. Enquanto o professor sofre muita press\u00e3o, n\u00e3o pode se atrasar, os alunos entram e saem quando querem\u201d, relata Fl\u00e1via.<\/p>\n<p>A professora comenta que os alunos chegam a intimidar os professores apenas com o jeito que olham.\u00a0 \u201cJ\u00e1 sofri ass\u00e9dio sexual de aluno e tive os quatro pneus do meu carro furados enquanto dava aula em escola de periferia\u201d, lembra.<\/p>\n<p>Apesar de sofrer com esse comportamento de seus alunos, a professora sempre tentou entender os adolescentes. \u201cNa escola p\u00fablica os alunos em si querem de fato aquela oportunidade, s\u00f3 que eles se sentem aviltados com o abandono da coisa p\u00fablica. A institui\u00e7\u00e3o de ensino degradada. Ent\u00e3o paro o adolescente, \u00e9 muito dif\u00edcil ser mal recebido, entrar numa sala suja e mal conservada, al\u00e9m de todos os problemas sociais, familiares, culturais, financeiros, o contato com o tr\u00e1fico de drogas, a sexualidade precoce. N\u00f3s temos que lidar com isso todos os dias\u201d, explica.<\/p>\n<p>J\u00e1 nas institui\u00e7\u00f5es particulares, a professora relata que o ass\u00e9dio \u00e9 diferente. \u201cOs alunos s\u00e3o arrogantes e boa parte dos pais incentiva esse comportamento. Alguns chegam a ficar na porta da escola esperando o professor para tirar satisfa\u00e7\u00f5es. Muitas escolas j\u00e1 evitam que pais e professores tenham contato\u201d, relata.<\/p>\n<p>N\u00e3o bastasse todo o estresse sofrido na profiss\u00e3o, trabalhar at\u00e9 quinze horas por dia e ainda corrigir provas quando finalmente pode estar em casa, ter o casamento desgastado pela falta de tempo para se dedicar aos programas de casal com o marido, Fl\u00e1via chegou ao fundo do po\u00e7o. \u201cToda a minha doen\u00e7a foi somatizando durante dez anos, e mesmo quando entendi que tinha depress\u00e3o aguda, eu a escondi e continuei dando aula. Cheguei ao ponto de sair da escola para o hospital passando mal todos os dias. Dar dois dias de aula, faltar um e o m\u00e9dico me pedindo para parar. Mas eu insisti. Era o meu sonho. At\u00e9 que um dia perdi meu filho mais velho. Foi o estopim da doen\u00e7a\u201d, relata.<\/p>\n<p><strong>Suic\u00eddio, estigma e ass\u00e9dio moral<\/strong><\/p>\n<p>Tem tr\u00eas anos que o filho de Fl\u00e1via tirou a pr\u00f3pria vida em casa, sem nenhum motivo aparente, fazendo o mundo da professora desabar completamente. \u201cMeu filho n\u00e3o bebia, n\u00e3o usava drogas, tinha uma namorada linda, estava na universidade. Ele foi meu aluno durante tr\u00eas anos e eu fui madrinha da turma dele. Era um aluno brilhante, eu gostaria de ter uma resposta para o que ele fez, mas eu n\u00e3o tenho\u201d, desabafa.<\/p>\n<p>Sete dias depois do enterro, Fl\u00e1via estava de volta \u00e0 sala de aula. Ela acreditava que seria acolhida no ambiente escolar e que a volta ao trabalho pudesse amenizar sua dor.<\/p>\n<p>\u201cEu achei que quando voltasse seria acolhida pelos meus alunos, mas passei a ser perseguida. Fui massacrada. As pessoas n\u00e3o respeitam nem o professor, quem dir\u00e1 a sua dor, o seu luto e a sua doen\u00e7a. Come\u00e7aram a questionar o meu estado, insinuando que eu estava fazendo drama, enrolando para n\u00e3o trabalhar. A depress\u00e3o, apesar de j\u00e1 ser a doen\u00e7a do s\u00e9culo, ainda \u00e9 considerada como frescura por muitos. Eu tentei continuar, mas n\u00e3o consegui. H\u00e1 dois anos estou afastada da profiss\u00e3o, depois de sofrer tr\u00eas acidentes de carro grav\u00edssimos. Estou vivendo com o aux\u00edlio-doen\u00e7a do INSS, tomando antidepressivos e, sinceramente, eu n\u00e3o sei qual ser\u00e1 o meu futuro\u201d, lamenta Fl\u00e1via.<\/p>\n<p>A professora explica que as institui\u00e7\u00f5es exigem a readapta\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o. \u201cMas eu dei aula a vida inteira. As pessoas querem que voc\u00ea diga que est\u00e1 bem e volte, mas eu n\u00e3o vou voltar. N\u00e3o tenho condi\u00e7\u00e3o alguma de conviver com a viol\u00eancia, o medo e o ass\u00e9dio moral. Eu acordei do meu sonho. Uma profiss\u00e3o t\u00e3o digna, t\u00e3o importante, com sal\u00e1rios absurdamente baixos e que sofre total falta de respeito. Eu estou viva e tenho que estar de p\u00e9 pelos meus outros filhos. Dois meninos, um de sete e outro de doze anos. Eles sofrem muito por causa da minha depress\u00e3o, mas eu n\u00e3o tenho como controlar. Tem dia que estou melhor, mas nunca feliz. Os dias s\u00e3o sempre tristes\u201d, desabafa.<\/p>\n<p>Na escola particular, Fl\u00e1via passou a ser vista pela dire\u00e7\u00e3o como algo \u201cdanoso\u201d aos alunos. \u201cFui massacrada muito mais na escola particular. Passei a ser vista como algo danoso. Ser m\u00e3e de um suicida poderia ser uma m\u00e1 influ\u00eancia para meus alunos. Cheguei ao ponto de um aluno perguntar se meu filho se enforcou e eu confirmei. Na dire\u00e7\u00e3o pediram pra eu mentir. Pra n\u00e3o afirmar mais. Eu poderia estar influenciando os alunos a cometerem suic\u00eddio\u201d, lembra.<\/p>\n<p>Hoje, Fl\u00e1via d\u00e1 palestras para professores sobre os problemas que enfrentou e sobre a depress\u00e3o, que muitas vezes est\u00e1 presente na vida do profissional, mas ele n\u00e3o enxerga. Ela tamb\u00e9m tem um canal no YouTube onde podem ser assistidos v\u00eddeos de suas aulas.<\/p>\n<p>\u201cEu me desiludi com a profiss\u00e3o, com as pessoas, com as institui\u00e7\u00f5es de ensino mais do que com os alunos. Os alunos s\u00e3o a melhor parte disso tudo e eles precisam de muito acolhimento. A rela\u00e7\u00e3o de professor com aluno n\u00e3o tem que ser respaldada no tecnicismo. Os aspectos emocionais dos alunos tamb\u00e9m precisam ser avaliados\u201d.<\/p>\n<p><strong>Ref\u00e9ns do medo; de agress\u00f5es verbais a surtos psic\u00f3ticos<\/strong><\/p>\n<p>Impunidade \u00e9 a regra. Um levantamento da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) indicou que o Brasil est\u00e1 em 1\u00ba lugar no ranking de viol\u00eancia nas escolas. Pesquisas apontaram que 22 mil professores foram amea\u00e7ados no pa\u00eds e houve 4.700 relatos de agress\u00f5es contra os docentes em 2014.<\/p>\n<p>Os dados de estudos mais recentes da OCDE, feitos com base em depoimentos de mais de 100 mil professores de ensino fundamental e m\u00e9dio, apontam que 12,5% dos professores j\u00e1 foram v\u00edtimas de agress\u00f5es verbais ou de intimida\u00e7\u00e3o de alunos pelo menos uma vez por semana no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da baixa remunera\u00e7\u00e3o, sobrecarga e das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, a indisciplina excessiva dos alunos tem feito os professores ref\u00e9ns do medo, explicando o aumento do n\u00famero de profissionais fora da sala de aula tendo como principais causas a ang\u00fastia e a fobia que produzem problemas psicol\u00f3gicos graves.<\/p>\n<p>No caso do professor de filosofia e sociologia Luiz Cl\u00e1udio Silva Castro, de 40 anos, 15 deles dedicados \u00e0 sala de aula, a sobrecarga de trabalho para garantir uma melhor sobreviv\u00eancia para a esposa e as filhas o fez ter um surto psic\u00f3tico partindo para a agress\u00e3o verbal contra uma aluna.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois anos, ele est\u00e1 afastado de benef\u00edcio pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) sem previs\u00e3o de retorno. O professor foi diagnosticado com a s\u00edndrome de burnout, um dist\u00farbio ps\u00edquico de car\u00e1ter depressivo, precedido de esgotamento f\u00edsico e mental intenso. O transtorno tamb\u00e9m \u00e9 conhecido como s\u00edndrome da exaust\u00e3o.<\/p>\n<p>Luiz Cl\u00e1udio era entusiasmado e bem ativo no que diz respeito ao envolvimento nas escolas. N\u00e3o sabe o que houve com ele, mas acredita que o dom foi perdido. Durante a entrevista, se emocionou v\u00e1rias vezes e, com olhos marejados e demonstrando ainda certo nervosismo ao falar do assunto, confessou ter dificuldades para abordar o tema.<\/p>\n<p>Ele contou que uma psic\u00f3loga, de um dos estabelecimentos de ensino onde atuava, o chamou a aten\u00e7\u00e3o para uma busca profissional, mas Luiz Cl\u00e1udio diz que n\u00e3o dava import\u00e2ncia por acreditar que n\u00e3o precisava de tanto. O grau de irritabilidade do professor s\u00f3 aumentava e, consequentemente, a desmotiva\u00e7\u00e3o. Ele trazia consigo a impress\u00e3o de que o problema era apenas a rotina do dia a dia.<\/p>\n<p>Essa rotina girava em torno de duas faculdades, uma p\u00fablica e outra privada, e tr\u00eas escolas particulares. Para conciliar, admite que n\u00e3o se alimentava direito e que um lanche r\u00e1pido no carro seria o suficiente para dar conta do recado.<\/p>\n<p>Ele bem que tentou colocar o trabalho \u00e0 frente da sa\u00fade, mas viu que foi em v\u00e3o. Seu rendimento despencou at\u00e9 que em um momento em sala de aula, uma aluna o perguntou se estava bem. \u201cEu estava t\u00e3o mal, que se o aluno n\u00e3o tivesse aprendido n\u00e3o estava nem a\u00ed; comecei a mentir e criar situa\u00e7\u00f5es para faltar, percebi que a situa\u00e7\u00e3o tinha fugido do controle e extrapolado todos os limites. Cheguei a agredir fisicamente uma aluna, quando pedi para a turma fazer sil\u00eancio e nada ser acatado, coisa que eu nunca fiz\u201d, revelou.<\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 n\u00e3o fui processado porque sabiam da minha conduta e esta aluna me conhecia e reconheceu, bem como a dire\u00e7\u00e3o da escola, que eu n\u00e3o estava bem\u201d, ressaltou. Poucos meses depois um novo surto o fez pedir demiss\u00f5es de todas as institui\u00e7\u00f5es de ensino.<\/p>\n<p><strong>Bomba-rel\u00f3gio: prazer vira avers\u00e3o controlada por antidepressivos<\/strong><\/p>\n<p>Considerado um bom professor e de conduta exemplar para os patr\u00f5es, Luiz Cl\u00e1udio desistiu de lecionar e, ap\u00f3s dois anos afastado das atividades escolares, n\u00e3o se v\u00ea mais em sala de aula, nem mesmo como aluno.<\/p>\n<p>Hoje, ele ainda toma tr\u00eas medicamentos antidepressivos e tem um cotidiano de consultas psiqui\u00e1tricas e psicol\u00f3gicas. \u201cEu desabei, vivia chorando e amargurado. Minha maior tristeza \u00e9 n\u00e3o conseguir mais ser professor, tenho dificuldade de participar da vida educacional at\u00e9 das minhas filhas. O universo educacional me incomoda, me bloqueou. J\u00e1 tentei fazer outra faculdade, mas quando entro na sala me d\u00e1 avers\u00e3o impressionante\u201d, frisou Luiz Cl\u00e1udio.<\/p>\n<p>O professor de filosofia e sociologia foi diagnosticado com depress\u00e3o, surto psic\u00f3tico e s\u00edndrome de burnout. \u201cMe arrependo muito do que fiz contra a aluna, s\u00f3 n\u00e3o foi pior porque acredito que Deus estava presente na hora. O que acarretou tamb\u00e9m esses problemas; n\u00e3o s\u00f3 em mim, mas em tantos outros colegas de profiss\u00e3o; \u00e9 essa falta de respeito no dia a dia. Sofri muitas agress\u00f5es verbais, perdi o encanto pela educa\u00e7\u00e3o, algo pelo que eu tinha extrema paix\u00e3o\u201d, destacou, emocionado, remetendo-se ao que era e como est\u00e1 atualmente.<\/p>\n<p>\u201cTenho vergonha, sei que muitas pessoas n\u00e3o entendem, julgam como \u2018safadeza\u2019 e tenho a certeza comigo de que n\u00e3o procurei ajuda antes justamente por esse julgamento. Outro ponto humilhante \u00e9 na per\u00edcia quando perguntam se j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 na hora de voltar. Devolvo a pergunta: o senhor confia em eu dar aula para o seu filho?\u201d, mencionou.<\/p>\n<p>Para Luiz Cl\u00e1udio, o que mais incomoda \u00e9 a omiss\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es de ensino, a submiss\u00e3o do professor, a explora\u00e7\u00e3o nas escolas, a aus\u00eancia da fam\u00edlia e a falta de respeito dos alunos. E esses foram os principais pontos que tamb\u00e9m geraram a situa\u00e7\u00e3o degradante dele.<\/p>\n<p>Luiz considera que foi uma bomba-rel\u00f3gio que explodiu. \u201c\u00c9 um desgaste emocional grande. Todos os dias sabe-se que existem professores que est\u00e3o fazendo alguma coisa para sair de sala de aula. Tenho colegas professores fazendo outros cursos para desistir de lecionar. Nos concursos, por exemplo, da pol\u00edcia, perde-se muitos professores para a seguran\u00e7a p\u00fablica, isto \u00e9, deixam o dom de lado e passam para a fun\u00e7\u00e3o de punir aqueles que n\u00e3o tiveram a oportunidade de serem educados\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cObservo que a aus\u00eancia familiar \u00e9 o foco da viol\u00eancia nas escolas. H\u00e1 muitos alunos perdidos por esta raz\u00e3o, eles n\u00e3o t\u00eam apoio. A pr\u00f3pria fam\u00edlia tem essa concep\u00e7\u00e3o. Para se ter uma ideia, j\u00e1 tive aluno o qual os pais passaram fila durante a prova pelo lado de fora da sala. Quando vi, n\u00e3o acreditei. Os pais n\u00e3o querem saber se o filho aprendeu, se pagam deve passar de qualquer jeito. A educa\u00e7\u00e3o precisa ser repensada ou v\u00e3o perder cada vez mais professores\u201d, lamentou.<\/p>\n<p>\u201cPara ir ao banheiro \u00e9 preciso pedir ao fiscal para que fique na sala porque corre o risco do professor voltar e um aluno ter matado o outro. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 complexa e de guerra e quando parte para a rede p\u00fablica o cen\u00e1rio \u00e9 ainda pior\u201d, salientou.<\/p>\n<p><strong>\u201cSonho de lecionar torna-se pesadelo no sistema educacional do Brasil\u201d<\/strong><\/p>\n<p>A psic\u00f3loga Sarah Lopes diz que os casos de professores exaustos com a press\u00e3o do dia a dia no trabalho s\u00e3o cada vez mais comuns nos consult\u00f3rios de psicologia e psiquiatria. \u201cA s\u00edndrome de burnout atinge especificamente profissionais que passam por determinadas press\u00f5es. Inicialmente, esta s\u00edndrome era utilizada somente entre os policiais, vigilantes, eletricistas, que s\u00e3o categorias que est\u00e3o em contato frequente com o perigo, por\u00e9m os professores atualmente se incluem nesta s\u00edndrome. Quando falamos em sonhos, existe uma idealiza\u00e7\u00e3o de que vai conseguir realizar e da melhor forma, entretanto, quando se depara com o sistema educacional do pa\u00eds, o sonho acaba se tornando um pesadelo, gerando frustra\u00e7\u00f5es diante da sua atua\u00e7\u00e3o limitada\u201d, explica.<\/p>\n<p>Para a profissional, atualmente, percebe-se que os alunos, as crian\u00e7as e adolescentes, possuem seus direitos preservados e assim deve ser feito, entretanto \u00e9 preciso ressaltar tamb\u00e9m seus deveres e estes deveres devem vir de casa. \u201cA educa\u00e7\u00e3o escolar deve ser pedag\u00f3gica, a moral e os princ\u00edpios s\u00e3o valores que devem ser trazidos de casa. Ocorre, neste contexto, uma mudan\u00e7a cultural capitalista, ou seja: pago, logo exijo! Diante deste conceito, adquire-se a ideia de que os professores s\u00e3o vistos como mercadorias que vendem o tempo e disponibilidade em sala de aula e se os pais das crian\u00e7as \u00e9 que pagam, logo elas t\u00eam que passar e se n\u00e3o aprendem \u00e9 culpa \u00fanica e exclusivamente do professor\u201d, opina a professora, quando fala sobre a viol\u00eancia sofrida dentro da sala de aula.<\/p>\n<p>\u201cSabe-se que essa ideologia n\u00e3o partiu das crian\u00e7as, mas elas a det\u00e9m, transformando isso em rebeldia e viol\u00eancia dentro da pr\u00f3pria sala de aula sem que o processor possa exercer a sua autoridade que \u00e9 a nota. Sem sua arma, como o professor poder\u00e1 exercer seu poder em sala de aula?\u201d, continuou.<\/p>\n<p>Para Sarah Lopes, a solu\u00e7\u00e3o do problema est\u00e1 na mudan\u00e7a do conceito social. \u201cExiste solu\u00e7\u00e3o sim, mas todos os envolvidos devem estar engajados nesta mudan\u00e7a. Os pais devem interferir sempre que poss\u00edvel conferindo aos professores a autoridade que lhes foi tirada. Deixando claro para as crian\u00e7as e adolescentes que eles devem fazer a sua parte. Frequentemente, mesmo quando n\u00e3o se consegue tirar boas notas, seu bom comportamento faz com que o professor atente para aquele aluno. Os professores conseguem perceber quem est\u00e1 na sala de aula comprometido, e se esfor\u00e7a ainda mais para que o seu conte\u00fado possa ser compreendido\u201d, opina.<\/p>\n<p>Para a psic\u00f3loga, o professor precisa, do mesmo modo, fazer a sua parte. \u201cE se tem consci\u00eancia do dever cumprido, n\u00e3o pode baixar a cabe\u00e7a para os pais ou alunos. Entretanto, quando se fala em viol\u00eancia escolar, se for necess\u00e1rio ajuda policial, este solicitar\u00e1, e ainda interven\u00e7\u00e3o do Estado ou de outro \u00f3rg\u00e3o de compet\u00eancia como Conselho Tutelar, este deve utilizar de todas as armas poss\u00edveis para que possa exercer aquilo que se prop\u00f5e\u201d.<\/p>\n<p>Cartilha aponta principais problemas que afetam categoria<\/p>\n<p>Com o objetivo de informar e chamar a aten\u00e7\u00e3o dos professores e sociedade em geral, uma cartilha est\u00e1 sendo produzida pelo Sinpro\/AL em parceria com o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho em Alagoas (MPT\/AL) mostrando os principais problemas psicol\u00f3gicos da categoria ap\u00f3s uma viol\u00eancia sofrida, que incluem s\u00edndrome do p\u00e2nico, bem como depress\u00e3o, medo, esgotamento f\u00edsico e mental pela s\u00edndrome de burnout.<\/p>\n<p><strong>TIPOS DE AGRESS\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<p><em>Vertical \u2013 parte do empregador para o empregado, ou seja, superior hier\u00e1rquico, n\u00e3o se restringindo ao patr\u00e3o, mas tamb\u00e9m ao supervisor, coordena\u00e7\u00e3o, orienta\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Horizontal \u2013 parte de professor para professor, que comunga do mesmo comportamento do empregado.<\/em><\/p>\n<p>A presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de Alagoas, B\u00e1rbara Heliodora, disse que h\u00e1 cerca de 300 escolas em todo o Estado, por\u00e9m apenas 70 s\u00e3o sindicalizadas. Ela colocou que desconhece que nas escolas sindicalizadas haja agress\u00e3o por parte de superiores hier\u00e1rquicos contra professores.<\/p>\n<p>\u201cA escola tem uma clientela e ningu\u00e9m quer ver seu nome estampado na imprensa porque um diretor, coordenador ou at\u00e9 mesmo outro funcion\u00e1rio da esfera administrativa tenha tratado o aluno ou os pais com agress\u00e3o\u201d, ponderou.<\/p>\n<p>B\u00e1rbara reconheceu que existam agress\u00f5es, mas que n\u00e3o ocorreu nenhuma notifica\u00e7\u00e3o no ano passado com rela\u00e7\u00e3o a este tipo de viol\u00eancia. \u201cH\u00e1 muitos casos de alunos contra professores, inclusive no interior pelos mais diversos fatores\u201d.<\/p>\n<p>A postura da escola, segundo a sindicalista, \u00e9 que quando existe de aluno para professor e o discente \u00e9 menor de idade, o Conselho Tutelar \u00e9 acionado para que o estudante seja chamado \u00e0 aten\u00e7\u00e3o dentro da legisla\u00e7\u00e3o pertinente por n\u00e3o haver raz\u00e3o dele ficar impune diante da situa\u00e7\u00e3o. Quando maior de idade, o sindicato orienta que seja feito um boletim de ocorr\u00eancia e, em alguns casos, o aluno \u00e9 expulso.<\/p>\n<p>B\u00e1rbara Heliodora ressaltou que a fam\u00edlia deve estar presente e comungar de todas as a\u00e7\u00f5es educativas da institui\u00e7\u00e3o a qual ela matriculou o seu filho. As escolas t\u00eam propostas pedag\u00f3gicas e nem sempre o aluno navega tranquilo dentro da proposta do regimento, caso seja necess\u00e1rio um instrumento legal para controlar ou contornar a situa\u00e7\u00e3o dentro do contexto escolar. \u201cA escola recebe v\u00e1rios tipos de alunos e cada um com a sua educa\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica, a fun\u00e7\u00e3o dela \u00e9 aglutinar a adversidade e ainda colocar para o aluno a educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para que no final do ano se tenha um resultado\u201d, explicou.<\/p>\n<p><strong>Com subnotifica\u00e7\u00e3o, n\u00fameros n\u00e3o refletem realidade<\/strong><\/p>\n<p>Um levantamento do Sindicato dos Professores do Estado de Alagoas (Sinpro\/AL) indica um dado ser\u00edssimo envolvendo a categoria. De fevereiro a dezembro de 2017, foram 25 den\u00fancias de ass\u00e9dio, os casos mais graves giram em torno de seis com depress\u00e3o, sendo dois detectados como s\u00edndrome de burnout, dois em estado de depress\u00e3o avan\u00e7ada e dois com tend\u00eancia suicida.<\/p>\n<p>No ano passado foram apenas oito den\u00fancias quando comparado com o mesmo per\u00edodo. Sem normas de seguran\u00e7a preconizadas pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT), esses profissionais se submetem ao que a escola e, consequentemente, o alunado imp\u00f5em.<\/p>\n<p>O presidente do Sinpro\/AL, Eduardo Vasconcelos, \u00e9 enf\u00e1tico quando afirma que esse n\u00famero \u00e9 mascarado, haja vista que muitos professores, por medo de repres\u00e1lias, silenciam. \u201cEste paradigma est\u00e1 sendo quebrado aos poucos, fazemos muitas campanhas no sentido do apoio a estes profissionais, para que eles n\u00e3o se calem diante da imposi\u00e7\u00e3o dos patr\u00f5es\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio da rede p\u00fablica de ensino \u00e9 ainda mais dram\u00e1tico. Segundo o sindicalista, o estabelecimento que comumente est\u00e1 localizado nas periferias das cidades traz \u00e0 tona a quest\u00e3o do tr\u00e1fico de drogas e armas de fogo o que acaba refletindo na escola, no trabalho do professor e na qualidade da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 quanto \u00e0 condi\u00e7\u00e3o da rede privada h\u00e1 a quest\u00e3o da subnotifica\u00e7\u00e3o, porque, de acordo com Vasconcelos, muitos profissionais est\u00e3o afastados n\u00e3o por acidente de trabalho, mas sim por doen\u00e7a. \u201cMuitas vezes a escola n\u00e3o d\u00e1 a devida aten\u00e7\u00e3o ao professor no que diz respeito ao ambiente saud\u00e1vel tanto do lado f\u00edsico quanto do psicol\u00f3gico e os profissionais acabam adoecendo\u201d, mencionou Eduardo.<\/p>\n<p>Nas escolas particulares, situa\u00e7\u00e3o que se amplia para as faculdades, destacam-se as agress\u00f5es, que se caracterizam como vertical e horizontal, isto \u00e9, entre professores, dire\u00e7\u00e3o e coordena\u00e7\u00e3o, al\u00e9m do alunado.<\/p>\n<p>Para ele no sentido literal da palavra, a escola se transformou numa empresa, e como toda boa empresa, o estabelecimento de ensino deve garantir o seu resultado. \u201cCresceram 100% as agress\u00f5es contra professores. J\u00e1 houve v\u00e1rios Boletins de Ocorr\u00eancia (BO\u2019s) de professores por amea\u00e7as de alunos, quer dizer, virou caso de pol\u00edcia com direito a viatura na porta da unidade de ensino e tudo mais\u201d, observou em tom de tristeza.<\/p>\n<p>Vasconcelos lembrou um fato recente envolvendo um grupo de professores e o dono de uma escola que fechou na parte alta de Macei\u00f3. \u201cOs profissionais estavam sendo amea\u00e7ados pelo dono quando iam cobrar os seus direitos, inclusive sal\u00e1rios. Eles eram acompanhados (seguidos) pelo propriet\u00e1rio da escola at\u00e9 o ponto de \u00f4nibus como uma esp\u00e9cie de intimida\u00e7\u00e3o\u201d, revelou o sindicalista. Os referidos professores tiveram que recorrer \u00e0 Justi\u00e7a para garantir seus direitos.<\/p>\n<p><strong>Site revela que maioria de professores j\u00e1 sofreu viol\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Professores que lecionam do 5\u00ba ao 9\u00ba ano em escolas publicas e privadas responderam a questionamentos do portal Qedu e a maioria diz j\u00e1 ter sofrido viol\u00eancia f\u00edsica e verbal dentro da sala de aula. Em Alagoas, 46% dos mais de 4 mil entrevistados afirmaram que foram agredidos por alunos dentro da sala de aula. 74% j\u00e1 presenciaram alunos agredindo outros alunos.<\/p>\n<p>Os educadores foram perguntados tamb\u00e9m sobre j\u00e1 terem sofrido algum atentado contra a vida, e 94 deles confirmaram. 352 j\u00e1 sofreram amea\u00e7a dos alunos.<\/p>\n<p>Os professores tamb\u00e9m responderam quest\u00f5es relacionadas a roubos e furtos dentro das escolas e, dos entrevistados, 134 j\u00e1 foram v\u00edtimas de furto sem viol\u00eancia. 40 entrevistados foram roubados com o uso da viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Muitos professores tamb\u00e9m comentaram que t\u00eam de lidar com alunos alcoolizados, consumidores de drogas il\u00edcitas e at\u00e9 armados. 235 professores relataram que alunos frequentam suas aulas sob efeito de \u00e1lcool. 368 professores t\u00eam de lidar com estudantes sob efeito de drogas il\u00edcitas e 168 professores j\u00e1 tiveram alunos portando facas ou canivetes dentro da sala de aula. 44 dos professores entrevistados j\u00e1 tiveram que lidar com aluno portando arma de fogo.<\/p>\n<p>O QEdu \u00e9 um portal aberto e gratuito, com todas as informa\u00e7\u00f5es p\u00fablicas sobre a qualidade do aprendizado em cada escola, munic\u00edpio e Estado do Brasil. Ele oferece dados da Prova Brasil, do Censo Escolar, do Ideb e do Enem de forma simples e acess\u00edvel a qualquer um, seja estudante, professor, gestor, jornalista, pesquisador ou secret\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Estado possui 88 afastados; sindicato contesta n\u00fameros<\/strong><\/p>\n<p>A Secretaria de Estado da Educa\u00e7\u00e3o (Seduc) informou por meio de nota, que atualmente possui 88 professores afastados das escolas com patologias diversas, e 246 professores readaptados, ou seja, afastados de suas fun\u00e7\u00f5es por um tempo, por\u00e9m trabalhando, obedecendo \u00e0s restri\u00e7\u00f5es do laudo expedido pela Per\u00edcia M\u00e9dica quanto \u00e0s suas fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A Seduc disse ainda que n\u00e3o tem como precisar o n\u00famero dos que est\u00e3o afastados por problemas psicol\u00f3gicos, tendo em vista que as causas de afastamento n\u00e3o podem ser divulgadas em virtude de proibi\u00e7\u00e3o do Conselho Federal de Medicina existente na resolu\u00e7\u00e3o CFM 1.819\/2017, que diz o seguinte:<\/p>\n<p>\u201cPro\u00edbe a coloca\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico codificado (CID) ou tempo de doen\u00e7a no preenchimento das guias da TISS de consulta e solicita\u00e7\u00e3o de exames de seguradoras e operadoras de planos de sa\u00fade concomitantemente com a identifica\u00e7\u00e3o do paciente e d\u00e1 outras provid\u00eancias\u201d. RESOLU\u00c7\u00c3O CFM n\u00ba 1.819\/2007 (Publicada no D.O.U. 22 maio 2007, Se\u00e7\u00e3o I, pg. 71).<\/p>\n<p>Questionada acerca da exist\u00eancia de alguma estrat\u00e9gia de media\u00e7\u00e3o de conflitos, a Seduc declarou que realiza o acolhimento ao servidor, orienta\u00e7\u00f5es quanto \u00e0 licen\u00e7a m\u00e9dica e readapta\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de campanhas educativas, a exemplo do programa Escolha a Calma.<\/p>\n<p>Concluiu acrescentando que disp\u00f5e tamb\u00e9m da escuta qualificada das partes, bem como o encaminhamento aos Centros de Acompanhamento Psicol\u00f3gico Social \u2013 CAPS.<\/p>\n<p>Em 2017, a rede municipal de ensino contabilizou at\u00e9 o momento cerca de\u00a0 847\u00a0 professores afastados por licen\u00e7a m\u00e9dica motivada por diversos problemas de sa\u00fade.<\/p>\n<p>A Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o (Semed) ressaltou que esse dado inclui licen\u00e7as por afastamentos e readapta\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00e3o. J\u00e1 no que diz respeito aos dados de servidores readaptados que englobam professores e administrativo, a rede contabilizou cerca de 472 at\u00e9 dezembro deste ano. Desse total, por volta de 80% s\u00e3o professores. O quantitativo \u00e9 aproximado, visto que a estat\u00edstica de 2017 ainda n\u00e3o foi finalizada.<\/p>\n<p><strong>N\u00daMEROS FANTASIOSOS<\/strong><\/p>\n<p>Para Consuelo Correia, presidente do Sinteal (Sindicato dos Trabalhadores em Educa\u00e7\u00e3o de Alagoas) os n\u00fameros da SEE e Semed s\u00e3o fantasiosos e n\u00e3o refletem a realidade. \u201cComo \u00e9 que num Estado com mais de 300 escolas s\u00f3 tenha 88 professores afastados no geral? Com certeza n\u00e3o \u00e9 somente isso, o Estado inteiro apresentar 10% do quantitativo do munic\u00edpio de Macei\u00f3\u201d, frisou.<\/p>\n<p>Consuelo acredita que a quest\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o \u00e9 sist\u00eamica e complexa e vai muito al\u00e9m da sala de aula. \u201cA situa\u00e7\u00e3o indissoci\u00e1vel para que possa melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores \u00e9 um ponto que praticamente n\u00e3o \u00e9 tratado nas pautas de reivindica\u00e7\u00e3o, mesmo que n\u00f3s cobremos a condi\u00e7\u00e3o do trabalhador envolvendo ac\u00fastica, seguran\u00e7a, cultura de paz. Ent\u00e3o s\u00e3o v\u00e1rios elementos, hoje as crian\u00e7as passam o dia longe da fam\u00edlia o que acaba sobrando para o professor, que passa a ser psic\u00f3logo, assistente social, educador, ent\u00e3o \u00e9 uma sobrecarga que toma para si, o que acaba no adoecimento, sem contar com as amea\u00e7as verbais de alunos\u201d, explicou.<\/p>\n<p><strong>Trabalhar a comunidade<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com a presidente do Sinteal, trabalhar a comunidade escolar \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia para que ela tenha o sentimento de pressentimento da situa\u00e7\u00e3o escolar, inclusive para n\u00e3o deteriorar aquele patrim\u00f4nio que \u00e9 de todos. \u201cSomos desvalorizados e sem prestigio social, os cursos de licenciatura s\u00e3o os mais esvaziados. Apesar de se ter o mesmo grau de escolaridade de n\u00edvel superior dos demais profissionais, tendo como exemplo, o concurso da educa\u00e7\u00e3o daqui do Estado, s\u00e3o 850 vagas para professor com n\u00edvel superior com jornada de 30 horas, com sal\u00e1rio de menos de R$ 2.500, enquanto existem profissionais no judici\u00e1rio com o n\u00edvel m\u00e9dio ganhando R$ 7 mil e n\u00e3o levam trabalho para casa\u201d, salientou.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma desvaloriza\u00e7\u00e3o sem igual com uma profiss\u00e3o que forma todas as demais. Essa pol\u00edtica de desvaloriza\u00e7\u00e3o \u00e9 proposital e tudo o que o governo quer, porque o espa\u00e7o educacional tem um empoderamento. As propagadas midi\u00e1ticas n\u00e3o condizem com a realidade e ainda n\u00e3o sa\u00edram do papel. A impot\u00eancia \u00e9 vista como regra pelos que lecionam, e n\u00e3o temos muito o que fazer, h\u00e1 uma desmotiva\u00e7\u00e3o generalizada\u201d, observou.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"fonte\">\n<p>Fonte:\u00a0<strong>Tribuna Independente \/ Ana Paula Omena e Thayanne Magalh\u00e3es<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A professora Fl\u00e1via Farias, de 45 anos, realizou seu sonho de lecionar h\u00e1 25. Dedicou a maior parte dos seus dias a dar aulas de todas as Ci\u00eancias Humanas: Geografia, Hist\u00f3ria, Filosofia e Sociologia. Com a rotina exaustiva, dia ap\u00f3s dia, a professora foi se sentindo infeliz pelas cobran\u00e7as, pela falta de respeito de alguns [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":5022,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-5021","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-sinpro-al"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/sinpro-al.com.br\/v2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5021","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/sinpro-al.com.br\/v2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/sinpro-al.com.br\/v2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/sinpro-al.com.br\/v2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/sinpro-al.com.br\/v2\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5021"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/sinpro-al.com.br\/v2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5021\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5023,"href":"http:\/\/sinpro-al.com.br\/v2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5021\/revisions\/5023"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/sinpro-al.com.br\/v2\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5022"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/sinpro-al.com.br\/v2\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5021"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/sinpro-al.com.br\/v2\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5021"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/sinpro-al.com.br\/v2\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5021"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}