{"id":4711,"date":"2017-10-20T13:05:34","date_gmt":"2017-10-20T16:05:34","guid":{"rendered":"http:\/\/sinpro-al.com.br\/v2\/?p=4711"},"modified":"2017-10-20T13:05:34","modified_gmt":"2017-10-20T16:05:34","slug":"sinpro-saude-como-a-escola-adoece-o-professor","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sinpro-al.com.br\/v2\/?p=4711","title":{"rendered":"Sinpro Sa\u00fade: Como a escola adoece o professor?"},"content":{"rendered":"<figure class=\"foto-legenda gd6\"><figcaption class=\"undefined\">\n<div id=\"attachment_4712\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/sinpro-al.com.br\/v2\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/6dirdoj6eoydw9nellpol5m34.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4712\" class=\"wp-image-4712 size-medium\" src=\"http:\/\/sinpro-al.com.br\/v2\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/6dirdoj6eoydw9nellpol5m34-300x224.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"224\" srcset=\"http:\/\/sinpro-al.com.br\/v2\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/6dirdoj6eoydw9nellpol5m34-300x224.jpg 300w, http:\/\/sinpro-al.com.br\/v2\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/6dirdoj6eoydw9nellpol5m34.jpg 316w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4712\" class=\"wp-caption-text\">Alan Sampaio \/ iG Bras\u00edlia<\/p><\/div>\n<h2 class=\"undefined\">Estrutura escolar adoece professores e leva a abandono da profiss\u00e3o<\/h2>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p id=\"noticia-olho\">Para historiador da USP, sociedade critica todos os aspectos do cotidiano escolar, mas se esfor\u00e7a para mant\u00ea-los da mesma forma.<\/p>\n<div id=\"noticia\" class=\"noticia\">\n<p>\u201cO ambiente escolar me d\u00e1 fobia, taquicardia, \u00e2nsia de v\u00f4mito. At\u00e9 os enfeites das paredes me d\u00e3o nervoso. E eu era a pessoa que mais gostava de enfeitar a escola. Cheguei a um ponto que n\u00e3o conseguia ajudar nem a minha filha ou ficar sozinha com ela. Eu n\u00e3o conseguia me sentir respons\u00e1vel por nenhuma crian\u00e7a. E eu sempre tive muita paci\u00eancia, mas me esgotei.\u201d<\/p>\n<p>O relato \u00e9 da professora Luciana Damasceno Gon\u00e7alves, de 39 anos. Pedagoga, especialista em psicopedagogia h\u00e1 15 anos, Luciana \u00e9 um exemplo entre milhares de professores que, todos os dias e h\u00e1 anos, se afastam das salas de aula e desistem da profiss\u00e3o por terem adoecido em suas rotinas.<\/p>\n<div id=\"ad_intext\" data-google-query-id=\"COGn_snC_9YCFcKEkQodv4YFQQ\"><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\" \">Para o pesquisador Danilo Ferreira de Camargo, o adoecimento desses profissionais mostra o quanto o cotidiano de professores e alunos nos col\u00e9gios \u00e9 \u201cinsuport\u00e1vel\u201d. \u201cEles revelam, mesmo que de forma obl\u00edqua e tr\u00e1gica, o contraste entre as abstra\u00e7\u00f5es de nossas utopias pedag\u00f3gicas e a pr\u00e1tica muitas vezes intoler\u00e1vel do cotidiano escolar\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O tema foi estudado pelo historiador por quatro anos, durante mestrado na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Na disserta\u00e7\u00e3o\u00a0<em>O abolicionismo escolar: reflex\u00f5es a partir do adoecimento e da deser\u00e7\u00e3o dos professores<\/em>, Camargo analisou mais de 60 trabalhos acad\u00eamicos que tratavam do adoecimento de professores.<\/p>\n<p>Camargo percebeu que a \u201cepidemia\u201d de doen\u00e7as ocupacionais dos docentes foi estudada sempre sob o ponto de vista m\u00e9dico. \u201cTentei mapear o problema do adoecimento e da deser\u00e7\u00e3o dos professores n\u00e3o pela via da vitimiza\u00e7\u00e3o, mas pela forma como esses problemas est\u00e3o ligados \u00e0 forma naturalizada e invari\u00e1vel da forma escolar na modernidade\u201d, diz.<\/p>\n<p>Luciana come\u00e7ou a adoecer em 2007 e est\u00e1 h\u00e1 dois anos afastada. Espera n\u00e3o ser colocada de volta em um col\u00e9gio. \u201cTenho um laudo dizendo que eu n\u00e3o conseguiria mais trabalhar em escola. Eu n\u00e3o sei o que v\u00e3o fazer comigo. Mas, como essa n\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a vis\u00edvel, sou discriminada\u201d, conta. A professora critica a falta de apoio para os docentes nas escolas.<\/p>\n<p>\u201cMe sentia remando contra a mar\u00e9. Eu gostava do que fazia, era boa profissional, mas n\u00e3o conseguia mudar o que estava errado. A escola ficou ultrapassada, n\u00e3o atrai os alunos. Eles s\u00f3 est\u00e3o l\u00e1 por obriga\u00e7\u00e3o e os pais delegam todas as responsabilidades de educar os filhos \u00e0 escola. Tudo isso me angustiava muito\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Viver sem escola: \u00e9 poss\u00edvel?<\/strong><\/p>\n<p>Orientado pelo professor Julio Roberto Groppa Aquino, com base nas an\u00e1lises de Michel Foucault sobre as institui\u00e7\u00f5es disciplinares e os jogos de poder e resist\u00eancia, Camargo questiona a exist\u00eancia das escolas como institui\u00e7\u00e3o inabal\u00e1vel. A discuss\u00e3o proposta por ele trata de um novo olhar sobre a educa\u00e7\u00e3o, um conceito chamado abolicionismo escolar.<\/p>\n<p>\u201cCriticamos quase tudo na escola (alunos, professores, conte\u00fados, gestores, pol\u00edticos) e, ao mesmo tempo, desejamos mais escolas, mais professores, mais alunos, mais conte\u00fados e disciplinas. Nenhuma reforma modificou a rotina do cotidiano escolar: todos os dias, uma legi\u00e3o de crian\u00e7as \u00e9 confinada por algumas (ou muitas) horas em salas de aula sob a supervis\u00e3o de um professor para que possam ocupar o tempo e aprender alguma coisa, pouco importa a varia\u00e7\u00e3o moral dos conte\u00fados e das estrat\u00e9gias did\u00e1tico-metodol\u00f3gicas de ensino\u201d, pondera.<\/p>\n<p>Ele ressalta que essa \u201cn\u00e3o \u00e9 mais uma agenda pol\u00edtica para trazer salva\u00e7\u00e3o definitiva\u201d aos problemas escolares. \u00c9 uma cr\u00edtica \u00e0s in\u00fameras tentativas de reformular a escola, mantendo-a da mesma forma. \u201cA minha quest\u00e3o \u00e9 outra: ser\u00e1 poss\u00edvel n\u00e3o mais tentar resolver os problemas da escola, mas compreender a exist\u00eancia da escola como um grave problema pol\u00edtico?\u201d, provoca.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o do pesquisador, \u201cas mazelas da escola s\u00e3o rent\u00e1veis e parecem se proliferar na mesma medida em que proliferam diagn\u00f3sticos e progn\u00f3sticos para uma poss\u00edvel cura\u201d.<\/p>\n<p><strong>Problemas partilhados<\/strong><\/p>\n<p>Suzimeri Almeida da Silva, 44 anos, se tornou professora de Ci\u00eancias e Biologia em 1990. Em 2011, no entanto, chegou ao seu limite. Hoje, conseguiu ser realocada em um laborat\u00f3rio de ci\u00eancias. \u201cSe eu for obrigada a voltar para uma sala de aula, n\u00e3o vou dar conta. N\u00e3o tenho mais estrutura psiqui\u00e1trica para isso\u201d, conta a carioca.<\/p>\n<p>Ela concorda que a estrutura escolar adoece os profissionais. Al\u00e9m das doen\u00e7as f\u00edsicas \u2013 ela desenvolveu rinite al\u00e9rgica por causa do giz e in\u00fameros calos nas cordas vocais \u2013, Suzimeri diz que o ambiente provoca doen\u00e7as psicol\u00f3gicas. Ela, que cuida de uma depress\u00e3o, tamb\u00e9m reclama da falta de apoio das fam\u00edlias e dos gestores aos professores.<\/p>\n<p>\u201cO professor \u00e9 culpado de tudo, n\u00e3o \u00e9 valorizado. Muitas crian\u00e7as chegam cheias de problemas emocionais, sociais. Voc\u00ea v\u00ea tudo errado, quer ajudar, mas n\u00e3o consegue. Eu pensava: eu n\u00e3o sou psic\u00f3loga, n\u00e3o sou assistente social. O que eu estou fazendo aqui?\u201d, lamenta.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: ultimosegundo.ig.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estrutura escolar adoece professores e leva a abandono da profiss\u00e3o Para historiador da USP, sociedade critica todos os aspectos do cotidiano escolar, mas se esfor\u00e7a para mant\u00ea-los da mesma forma. \u201cO ambiente escolar me d\u00e1 fobia, taquicardia, \u00e2nsia de v\u00f4mito. At\u00e9 os enfeites das paredes me d\u00e3o nervoso. 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